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Angola Cables aumenta capacidade da ligação Angola–Brasil–Estados Unidos

Angola Cable

A Angola Cables está a aumentar a capacidade da sua infraestrutura submarina no Atlântico para responder ao crescimento do tráfego gerado por serviços de cloud, inteligência artificial e grandes centros de dados. A empresa vai utilizar tecnologia óptica da Ciena nos sistemas submarinos SACS e MONET, que em conjunto permitem criar uma rota directa entre Angola, Brasil e Estados Unidos. Ciena

A modernização permitirá disponibilizar interfaces de até 800 Gb/s no MONET, além de opções de conectividade que começam nos 100 Gb/s e podem chegar à capacidade de um par completo de fibras. Ciena É muita capacidade. Mas o ponto mais importante para Angola não está apenas no número. Está na rota.

Dados podem chegar aos Estados Unidos sem passar primeiro pela Europa

Tradicionalmente, grande parte das ligações internacionais de África depende de rotas que seguem para norte através da Europa. A infraestrutura da Angola Cables oferece uma alternativa pelo Atlântico Sul.

O SACS, com 6.165 quilómetros, liga Angola ao Brasil. A partir daí, o MONET, com 10.556 quilómetros, liga o Brasil aos Estados Unidos. Ciena Combinados, os dois sistemas permitem estabelecer uma ligação Angola–Estados Unidos através do Brasil. Segundo a Ciena, os dados conseguem percorrer esta rota com aproximadamente 130 milissegundos de latência de ida e volta. Isso é particularmente importante para aplicações em que o tempo de resposta da rede faz diferença.

Onde entram a inteligência artificial e a cloud?

Treinar modelos de inteligência artificial, movimentar grandes bases de dados e operar serviços de cloud exige cada vez mais largura de banda. O mesmo acontece com streaming, plataformas digitais, centros de dados e serviços empresariais que precisam de transferir grandes volumes de informação entre diferentes regiões. É essa procura que está por trás da modernização.A Angola Cables afirma que pretende responder ao crescimento das necessidades de hyperscalers, fornecedores de cloud, empresas de conteúdos, operadores e clientes empresariais. Portanto, não se trata de construir um novo cabo submarino. A empresa está a aumentar a capacidade da fibra que já existe, instalando uma nova geração de equipamentos ópticos nas redes SACS e MONET. Broadcast Media Africa. Esta distinção é importante.

800 Gb/s não significa internet de 800 Gb/s em casa

A capacidade anunciada não significa que os clientes particulares da Unitel, Africell ou de um fornecedor de internet passarão a ter ligações de 800 Gb/s.

Estamos a falar de capacidade utilizada na infraestrutura internacional de telecomunicações. É como aumentar o número de faixas de uma auto-estrada. Isso permite transportar muito mais tráfego entre países e redes, mas a velocidade que chega à casa ou ao telemóvel do utilizador continua dependente de vários outros elementos: rede do operador, fibra local, antenas, congestionamento, pacote contratado e equipamento utilizado.

Angola Cables vai utilizar nova geração de equipamentos ópticos

A modernização inclui a plataforma Waveserver equipada com tecnologia WaveLogic 6 Extreme, a plataforma óptica 6500 e ferramentas de gestão e controlo de rede Navigator da Ciena. O objectivo é aumentar a capacidade sem substituir toda a infraestrutura submarina existente.

Na prática, tecnologias ópticas mais recentes conseguem transmitir mais informação através da mesma fibra. A Angola Cables já tinha feito algo semelhante no MONET. Em 2021, uma modernização anterior acrescentou 2,2 Tb/s de capacidade aos segmentos que ligam Miami, Fortaleza e São Paulo. Agora a empresa volta a actualizar a infraestrutura.

Angola tenta posicionar-se como corredor digital

A Angola Cables possui cerca de 33 mil quilómetros de rede submarina própria, através dos sistemas WACS, SACS e MONET, e afirma alcançar mais de 50 mil quilómetros quando consideradas outras redes às quais está ligada através de parcerias. A empresa está ainda ligada a mais de mil centros de dados e centenas de pontos de acesso a plataformas cloud. Essa infraestrutura dá a Angola algo que vai além da conectividade doméstica.

O país pode funcionar como ponto de passagem de tráfego entre África e as Américas. E, numa economia em que centros de dados, cloud e inteligência artificial exigem quantidades cada vez maiores de capacidade internacional, essa posição pode transformar-se num activo económico.

A pergunta agora é quanto desta capacidade será realmente utilizada

Ter infraestrutura disponível é apenas metade da equação. A outra metade é encontrar clientes capazes de a utilizar.

Hyperscalers, fornecedores de cloud, plataformas de conteúdos e grandes empresas escolhem rotas com base em preço, segurança, redundância, latência e proximidade dos seus utilizadores. Por isso, o verdadeiro teste desta modernização será perceber quanto novo tráfego e quantos novos clientes a Angola Cables conseguirá trazer para a rota do Atlântico Sul.

Se conseguir, Angola deixa de ser apenas consumidora de conectividade internacional e reforça a possibilidade de funcionar como uma das infraestruturas de passagem do tráfego digital entre continentes.

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