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Governo prevê crescimento de 5,57% para Angola em 2026

Crescimento Angola

O Governo angolano prevê que a economia cresça 5,57% em 2026, uma estimativa mais conservadora do que os 6,15% projectados pelo Banco Nacional de Angola.

A nova previsão foi apresentada na segunda-feira, 21 de Setembro, pelo secretário de Estado para o Planeamento, Luís Epalanga, durante o lançamento do relatório Country Focus Report 2026 – Angola, do Banco Africano de Desenvolvimento. A diferença entre as duas previsões é de 0,58 ponto percentual.

Embora pareça pequena, aplicada ao tamanho de uma economia representa uma diferença relevante na quantidade de actividade económica esperada durante o ano.

E existe uma terceira previsão ainda mais distante.

O BAD aponta actualmente para crescimento real de apenas 2,9% em 2026.

Temos, portanto, três leituras diferentes sobre o mesmo ano económico.

Governo aponta para 5,57%

Segundo Luís Epalanga, a economia angolana apresentou sinais de maior resiliência durante os primeiros meses de 2026. O PIB registou crescimento homólogo de 5,32% no primeiro trimestre. No segundo trimestre, a expansão acelerou para 8,74%.

Com base no desempenho observado e nas perspectivas para o restante exercício, o Governo trabalha agora com crescimento de 5,57% para o conjunto do ano. Mas crescimento trimestral e crescimento anual não são a mesma coisa.

Os 8,74% comparam o segundo trimestre de 2026 com o mesmo período do ano anterior. Já os 5,57% representam a previsão para a evolução de toda a economia durante o ano.

BNA está mais optimista

O Banco Nacional de Angola apresentou uma previsão ainda mais elevada.

Na reunião de política monetária realizada na semana passada, o banco central reviu a sua estimativa de crescimento económico para 6,15%. Em Julho, o BNA apontava para apenas 3,6%.

A revisão foi sustentada principalmente pela expectativa de forte crescimento da economia não petrolífera. Portanto, em poucos meses, a perspectiva do banco central mudou consideravelmente. Isso torna especialmente importante acompanhar os próximos dados do Instituto Nacional de Estatística.

Previsões ajudam a perceber a direcção. São os dados efectivos que dizem onde a economia realmente chegou.

BAD prevê apenas 2,9%

O Banco Africano de Desenvolvimento apresenta um cenário bastante diferente.

Nas suas perspectivas económicas actualmente publicadas para Angola, o BAD prevê crescimento real do PIB de 2,9% em 2026 e 3,3% em 2027.

O banco identifica investimentos no agronegócio, logística no Corredor do Lobito e aproximadamente 2 mil milhões USD em projectos de mineração não diamantífera e terras raras entre os factores que poderão apoiar a economia.

Ao mesmo tempo, aponta riscos ligados à volatilidade do petróleo, condições financeiras internacionais, tensões geopolíticas, alterações climáticas e dependência das receitas petrolíferas.

A diferença entre 2,9%, 5,57% e 6,15% mostra por que uma previsão económica deve sempre vir acompanhada do nome da instituição que a produziu.

Não existe neste momento simplesmente “a previsão de Angola”.

Existem cenários diferentes.

Sector não petrolífero já representa 86,05% do PIB

O Governo destaca a transformação da composição da economia como um dos principais sinais de mudança.

Segundo os dados apresentados por Luís Epalanga, o peso do sector petrolífero no PIB caiu de 23,83% em 2021 para 13,95% em 2025.

No sentido contrário, a economia não petrolífera passou a representar 86,05% do PIB.

Agricultura, comunicações, mineração e outras actividades não petrolíferas têm contribuído para essa evolução.

O próprio BAD identifica agricultura, comunicações e mineração entre os sectores que ajudaram a economia a crescer em 2025, apesar de uma contracção de 3,2% na actividade petrolífera.

Mas existe uma distinção importante.

Ter uma economia em que o petróleo representa menos do PIB não significa automaticamente que o país deixou de depender do petróleo.

Petróleo continua a dominar as exportações

O crude continua a ter um peso muito elevado na geração de divisas.

Isso significa que Angola pode diversificar a composição do PIB e continuar vulnerável às oscilações do preço e da produção petrolífera.

Quando o preço do barril cai, entram menos dólares.

Quando a produção diminui, acontece o mesmo.

Essas alterações afectam receitas fiscais, disponibilidade de moeda estrangeira, taxa de câmbio e capacidade de financiamento externo.

A verdadeira diversificação precisa, portanto, de acontecer também nas exportações.

Produzir mais alimentos, serviços ou bens para consumo interno é importante.

Conseguir vendê-los ao exterior acrescenta outra camada de protecção à economia.

Contas públicas continuam sob pressão

O crescimento económico também não eliminou os desafios das finanças públicas.

No segundo trimestre de 2026, Angola registou um défice fiscal de aproximadamente 2,0 biliões Kz.

Isso representa uma deterioração de cerca de 2,2 biliões Kz em relação ao período homólogo, associada ao aumento da despesa e à redução das receitas.

É um dado importante porque crescimento económico não significa automaticamente contas públicas equilibradas.

Um Estado pode ter uma economia em expansão e, ao mesmo tempo, gastar mais do que arrecada.

Por isso, Luís Epalanga defendeu maior eficiência na utilização dos recursos e direccionamento do financiamento para investimentos com maior impacto económico e social.

Angola precisa de cerca de 14 mil milhões USD por ano em financiamento

O desafio fica ainda mais claro quando observamos as necessidades de financiamento.

O BAD estima que Angola enfrenta necessidades brutas de financiamento próximas de 14 mil milhões USD por ano.

Ao mesmo tempo, os rendimentos exigidos sobre a dívida soberana angolana nos mercados internacionais permanecem acima de 9%, comparados com aproximadamente 4,9% para mercados emergentes na referência utilizada pelo banco.

Financiar o desenvolvimento torna-se, portanto, caro.

É precisamente por isso que o BAD defende maior utilização de parcerias público-privadas, garantias de instituições multilaterais, mercado obrigacionista doméstico e instrumentos como obrigações verdes e azuis.

O momento é curioso.

Na semana passada, o BAI concluiu a primeira oferta pública de obrigações sustentáveis do mercado angolano, captando 57,5 mil milhões Kz.

Hoje, essas obrigações entram no mercado secundário da BODIVA.

Ou seja, algumas das soluções mencionadas nos relatórios económicos já começam, lentamente, a aparecer no mercado.

Crédito privado continua pequeno em relação à economia

O BAD também chama atenção para a profundidade do sistema financeiro.

Em 2025, os activos do sector bancário correspondiam a aproximadamente 21% do PIB, enquanto o crédito ao sector privado representava apenas 8,3% do PIB.

Como comparação de referência utilizada pelo banco, as médias globais rondam 40% e 50%, respectivamente.

Isto ajuda a explicar um problema conhecido por muitas empresas angolanas.

A economia pode crescer, mas financiar uma empresa continua difícil.

E sem financiamento adequado torna-se mais complicado comprar máquinas, aumentar produção, contratar trabalhadores ou entrar em novos mercados.

Por isso, crescimento do PIB e desenvolvimento empresarial não devem ser tratados como sinónimos.

5,57% será agora o número a testar

A previsão do Governo é optimista em comparação com a do BAD e ligeiramente mais prudente do que a do BNA.

Nos próximos meses, três indicadores ajudarão a perceber qual cenário está mais próximo da realidade: crescimento dos sectores não petrolíferos, comportamento da produção e preço do petróleo e evolução das contas públicas.

Há também uma questão mais profunda.

Se Angola crescer acima de 5% enquanto o peso do petróleo no PIB continua a diminuir, teremos evidência adicional de mudança na estrutura produtiva.

Mas a transformação só será realmente robusta quando esse crescimento conseguir criar emprego, aumentar produtividade, expandir exportações não petrolíferas e melhorar o rendimento por habitante.

O PIB diz-nos quanto a economia produz. Não nos diz sozinho quanto dessa prosperidade chega à vida das pessoas.

Fontes utilizadas

  1. O Banco Africano de Desenvolvimento apresenta actualmente uma previsão de crescimento de 2,9% para Angola em 2026, além dos dados sobre financiamento, crédito e riscos económicos.Banco Africano de Desenvolvimento · consultada em 2026-09-23

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