Angola está disponível para permitir ao Botswana uma participação de até 30% na Refinaria do Lobito, avançando um passo nas negociações para transformar o interesse manifestado pelo país vizinho numa possível participação efectiva no projecto.
A informação foi confirmada pelo Presidente João Lourenço, na terça-feira, 8 de Setembro, após os encontros realizados em Luanda com o Presidente do Botswana, Duma Gideon Boko.
Segundo informação oficial do Governo angolano, a participação disponibilizada pode chegar aos 30%. Entretanto, o Botswana ainda não decidiu qual percentagem pretende subscrever nem o montante que poderá investir.
Portanto, ainda não existe venda concluída.
Existe uma negociação com um limite máximo já colocado publicamente sobre a mesa.
Botswana ainda está a estudar quanto pretende investir
Duma Boko explicou que as equipas técnicas dos dois países continuam a avaliar as condições da operação.
Consequentemente, ainda não há indicação sobre se o Botswana pretende adquirir os 30% disponíveis ou uma participação inferior.
João Lourenço afirmou que o convite permanece aberto e que Angola continuará a participar como accionista no projecto.
Isto é importante porque elimina uma possível interpretação de que Angola pretende simplesmente transferir o projecto para parceiros estrangeiros.
A estratégia parece ser outra: repartir o investimento e transformar a refinaria numa infraestrutura com alcance regional.
O Botswana não é o único país da região a quem Angola abriu a porta.
De acordo com o Governo, Namíbia e Zâmbia também foram convidadas a participar como accionistas na Refinaria do Lobito.
A lógica é fácil de entender.
Uma refinaria com capacidade muito superior às necessidades de uma única região precisa de mercados para colocar os seus produtos.
Ao mesmo tempo, vários países da África Austral continuam dependentes da importação de combustíveis.
Angola possui petróleo, uma costa atlântica e infraestrutura logística.
Os países do interior possuem mercados.
Quando estas peças encaixam, o projecto deixa de ser apenas angolano e começa a funcionar como activo regional.
Refinaria foi projectada para 200 mil barris por dia
A Refinaria do Lobito foi concebida para processar até 200 mil barris de petróleo bruto por dia, segundo informação oficial da Sonangol.
O projecto prevê uma refinaria de conversão profunda destinada a processar crude médio e leve produzido em Angola.
A configuração actualmente apresentada pela Sonangol prevê que aproximadamente 51% da produção seja gasóleo e 22% gasolina, além de fuel-oil, Jet A1, LPG e enxofre.
Esta dimensão coloca o Lobito numa categoria diferente das refinarias actualmente em funcionamento no país.
A unidade de Cabinda, por exemplo, foi concebida para chegar a 60 mil barris diários depois da conclusão das duas fases.
Corredor do Lobito torna o projecto ainda mais estratégico
Existe ainda a componente logística.
A região possui o Porto do Lobito e está integrada no Corredor do Lobito, que liga Angola às redes de transporte da República Democrática do Congo e da Zâmbia.
O Botswana também demonstrou interesse em projectos relacionados com esse corredor.
Para um país sem acesso directo ao mar, esta ligação tem valor estratégico.
Combustível refinado no Lobito pode seguir para mercados regionais, enquanto mercadorias e matérias-primas de países do interior podem utilizar o corredor para chegar ao Atlântico.
Assim, uma participação na refinaria pode ter valor que vai além dos dividendos do próprio projecto.
O grande desafio continua a ser o financiamento
Uma refinaria desta dimensão exige capital elevado e execução durante vários anos.
O relatório anual da Sonangol relativo a 2025 indica que o desenvolvimento do projecto avançou na engenharia e na estruturação de financiamento internacional.
Atrair Estados vizinhos como accionistas poderá reduzir a concentração do risco financeiro e, simultaneamente, garantir futuros mercados para parte da produção.
Por isso, os próximos passos serão decisivos.
O que acontece a seguir
O primeiro ponto a acompanhar é a percentagem que o Botswana pretende efectivamente adquirir.
Depois, Angola terá de responder a perguntas igualmente importantes: quanto custará essa participação, como vai financiá-la, que direitos dará ao novo accionista e se outros países aceitarão o convite angolano.
Também será necessário acompanhar o avanço físico da refinaria e o fecho da estrutura financeira do projecto.
Ontem a notícia era: Botswana está interessado.
Hoje sabemos algo mais concreto: Angola está disposta a disponibilizar até 30%.
O próximo capítulo só começa quando aparecer o valor do cheque.




